Para qualquer cultura agrícola comercial, a temperatura é um fator fundamental. É justamente por causa do clima, onde a temperatura é um fator dominante, que o Brasil passou de importador a um dos principais exportadores de alimentos no mundo, em apenas cinco décadas,


Vale considerar que boa parte desta reviravolta se deve à extensão do território brasileiro e à tecnologia - tanto de máquinas quanto de defensivos agrícolas - utilizadas na atualidade, que propiciaram o desenvolvimento do agronegócio no Brasil.


Nosso país oferece campo, através da extensão territorial, para o desenvolvimento de diversas culturas que se adaptam conforme o clima local, variando do clima equatorial até o mais temperado nas regiões subtropicais.


Café


Para o café, a temperatura é um fator de extrema relevância. A cultura é nativa de regiões florestais da Etiópia, na África. Logo, ela está originalmente adaptada a temperaturas mais altas.


Com a grande aceitação da bebida, seja pelo sabor, seja pelas propriedades nutricionais, houve um longo desenvolvimento de cultivares que se adaptaram à exposição direta ao sol, com maior resiliência a temperaturas mais altas, apesar de alguns serem sensíveis.


No entanto, é fundamental ressaltar que, em determinadas fases do desenvolvimento da planta, são necessárias temperaturas mais amenas. Um exemplo é a fase de diferenciação da gema floral, quando as gemas que poderiam dar origem a novos ramos se diferenciam para a produção do botão floral, que posteriormente se tornarão flores e, então, frutos. Neste processo é fundamental a redução da iluminação diária, a redução da umidade disponível no solo, além da redução da  temperatura.


Esta característica da planta praticamente determina a faixa ao longo do território brasileiro em que o café melhor se adapta, pois a ocorrência de períodos mais secos e frios se mostra fundamental para a boa produtividade da cultura.


As regiões mais aceitáveis para o café tem a temperatura média anual entre 18ºC e 21ºC, além de índices pluviométricos girando em torno de 1500 mm anuais. Fora destas faixas ótimas para o metabolismo do cafeeiro, a planta começa a apresentar problemas em sua estrutura vegetativa, comprometendo a produção de lavouras comerciais. Alguns autores afirmam que o metabolismo do cafeeiro praticamente cessa abaixo do 10ºC ou acima dos 34ºC.

 


Irrigação


Claro que não se pode interferir na temperatura como se pode, eventualmente, utilizar-se da irrigação para a complementação de água quando ocorrem déficits hídricos. No caso da temperatura, pode-se utilizar de algumas técnicas de sombreamento para reduzir a insolação, reduzindo indiretamente a temperatura foliar. Entretanto, são medidas de difícil implementação.


Uma ação que pode ser efetiva para as altas temperaturas é a irrigação - a oferta adicional de água. A oferta adicional de água causa transpiração da planta - levando a uma redução da temperatura devido a evaporação da água.


Para a proteção física da folha, ainda há ações que podem ser efetivas, como a aplicação de açúcar, protetores solares e produtos a base de estrobilurinas, particularmente a piraclostrobina, cujo custo e pertinência de aplicação devem ser muito bem estudados, em função de sua ação fungicida. A respeito destas ações de proteção foliar, trataremos melhor do assunto quando abordarmos a insolação e radiação solar.


Monitoramento


Sendo assim, resta ao produtor o monitoramento. Conhecendo a temperatura, ele pode atenuar alguns sintomas decorrentes de extremos de temperatura, por exemplo aplicando produtos químicos e nutrientes que amenizem os efeitos das altas temperaturas, ou fortaleçam a planta para suportar os extremos climáticos.


Observa-se, muitas vezes, abortamento floral quando o cafeeiro é exposto durante muitos dias a altas temperaturas, acima dos 30 ou 32ºC. Estas temperaturas não são muito raras nos meses de agosto e setembro, no período de final de inverno e início de primavera. Nessa época, há ainda menores índices de umidade do ar nas regiões produtoras, notadamente no cerrado mineiro, e consequentemente poucas nuvens que venham a amenizar a insolação. As temperaturas, devido à baixa umidade, oscilam bastante, com noites frias e dias quentes. O cafeeiro, então, é exposto a condições bastante estressantes, pois ele está no período de florada, e é submetido aos extremos climáticos.


O produtor, então, deve monitorar a temperatura do ambiente para agir no sentido de fornecer para a planta nutrientes que possam fortalecer e auxiliar a manutenção floral, reduzindo o abortamento. Geralmente, cálcio e boro são nutrientes que fortalecem a planta nestas condições, embora alguns autores não recomendem sua aplicação como paliativo (geralmente por via foliar), e sim a elevação no nível destes nutrientes no solo antes das condições extremas se estabelecerem, permitindo que a planta esteja mais preparada para as condições adversas.


O monitoramento da temperatura também é importante para se evitar o desperdício de produtos, principalmente aqueles aplicados via foliar. Ora, como são conhecidos os limites metabólicos da planta, deve-se sempre evitar a aplicação de produtos quando as temperaturas estejam muito próximas destes limites, pois certamente a planta estará menos apta a absorver os nutrientes e/ou defensivos eventualmente aplicados.


A sustentabilidade financeira da produção agrícola impõem ao produtor um aumento do uso da tecnologia, face aos desafios da natureza, principalmente dos fenômenos extremos que vem sendo observados. O conhecimento das variáveis climáticas passa a ser fundamental para a tomada de decisão.


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