A escolha do local onde implantar uma nova lavoura constitui uma decisão relativamente objetiva. Há critérios absolutamente indiscutíveis, como o relevo e a composição física do solo. Também a altitude é um critério bastante objetivo: abaixo dos 800 metros, o clima geralmente é muito quente, o que interfere na fisiologia do cafeeiro, e por consequência em seu metabolismo e na sua produtividade e propensão a determinadas doenças e pragas. Muito acima dos 1200 metros, temos incidência de doenças de difícil controle, como a Phoma.

Esses aspectos, em alguma medida, vêm sendo atendidos pela pesquisa e desenvolvimento de novos cultivares, mais produtivos em condições adversas. Mas ainda assim a prudência indica: busquemos áreas entre 800 e 1200 metros, planas o suficiente para a condução mecanizada da lavoura, com solos preferencialmente mais férteis, sem afloramentos rochosos.

Outros fatores também devem ser levados em consideração: a proximidade de um centro urbano que possa oferecer uma estrutura mínima de produtos e serviços é importante. A qualidade das estradas também deve ser considerada. Afinal, em produção, a lavoura demandará cargas de adubos, corretivos de solo e defensivos. Além disso, a produção deve ser escoada. Também deve-se considerar a necessidade futura de levar até a lavoura as máquinas de colheita, quando o cafeicultor não as possui, ou necessita fazer o seu transbordo de uma propriedade para outra.

Dentro desta linha de raciocínio, temos que considerar a localização da área para o futuro plantio em uma região propensa para a lavoura. O café é uma cultura de implantação muito cara para se aventurar fora dos limites das grandes regiões produtoras. Claro que sempre haverá os desbravadores, os pioneiros. Esses, quando encontram uma nova fronteira viável, são recompensados com terras mais acessíveis e eventualmente com alguns recursos já escassos nas regiões produtoras tradicionais.

Nosso foco aqui é o produtor mediano. Assim, voltaremos à nossa análise dentro das regiões produtoras.

Temos até aqui os critérios absolutamente objetivos da altitude e do relevo, além da qualidade do solo. Deve-se ainda evitar algumas nuances relacionadas a esses critérios físicos. O solo não deve ser muito arenoso, sob pena de demanda excessiva de água. E o ambiente não deve ser muito úmido. Aquelas grandes baixadas relativamente comuns em áreas produtoras do cerrado muitas vezes escondem dois problemas que podem ser fatais para a lavoura: a excessiva friagem (nos últimos anos, as geadas têm sido escassas principalmente no cerrado mineiro, mas não é por isso que devemos abusar da sorte), e a umidade acima da normal mesmo em períodos secos, que afeta diretamente a qualidade da bebida, às vezes mesmo antes de ser colhida.

Outra variável bastante objetiva é o tamanho. A melhor abordagem para a decisão do tamanho da lavoura implantada, em nossa opinião, é a busca por uma boa relação entre as máquinas necessárias para as operações de rotina, que o produtor fatalmente deverá possuir, e a área que estas máquinas cobrem, sem prejuízo operacional. Consideramos um módulo de 40 hectares como ideal para um conjunto mínimo de máquinas. Muito menor que isso, teremos investimentos absolutamente necessários que ficarão ociosos; acima disso, começam a ser necessários investimentos em outras máquinas, aumento da equipe de operadores, etc. E isso significa: custo.

Pois bem: tendo uma área de boa topografia, em boa altitude, com logística de acesso razoável, e no tamanho dos equipamentos que você possui (ou que pretende adquirir), então podemos passar para o último – e em nossa opinião mais importante – critério para a decisão de implantar ali uma lavoura: existe água?

Essa pergunta não é tão simples. Quando buscamos essa informação, temos que ter em mente várias questões, tais como: é possível captar água de algum córrego, ribeirão ou rio dentro da propriedade? Existe água suficiente para nosso projeto? É uma região de conflito pelo uso da água? É possível e viável perfurar um poço?

Antes de relegar estas questões a um segundo plano, apenas tenha em mente que, mesmo que a água fosse abundante (o que geralmente não é), você ainda tem que outorgar seu uso, seja ele em captação direta (a fio d’água), em barramento ou em poço profundo. E ainda deve elaborar um projeto de irrigação, cuja operação não é barata...

A propósito... a área que você escolheu está servida de energia elétrica? Se não estiver, há energia próxima? Se não houver, talvez fosse o caso de buscar outras alternativas!