Implantar uma!

A boa implantação de uma lavoura passa por um espectro muito grande de condicionantes. Ao final da empreitada, o desafio é ter exatamente isso: uma boa lavoura. Ela terá seus pequenos problemas: aquelas coisas das quais você teve que abrir mão em função de uma circunstância inesperada que se lhe apresentou aos 48 do segundo tempo. Por exemplo: o viveiro não lhe entregou as mudas de Topázio como você queria. Elas estavam fracas e apresentavam sinais de bacteriose. Seu espaçamento foi pensado para Topázio... ok, vamos achar outro viveiro que tenha mudas de cultivar de porte baixo, que estejam saudáveis e cujo custo caiba no orçamento.

Qualquer cafeicultor que já plantou sua própria lavoura passou por momentos parecidos. Momentos que lhe exigem uma decisão imediata, sob pena de perder o ciclo da lavoura. E nisso o café é cruel: por mais resiliente que seja a lavoura, há coisas que não são possíveis de se resolver. Mudas ruins, plantio fora de época, mão de obra que lhe curvou todos os peões da mudinhas, e eis que sua lavoura, linda, simplesmente amarela e morre...

Dadas nossas condições climáticas, o plantio ideal é aquele que ocorre a partir da segunda quinzena de novembro, quando já se iniciou a temporada de chuvas de final de primavera e início de verão. Até o início do mês de janeiro, ainda é, digamos, aceitável, embora já se corra o risco real de se pegar um belo veranico de janeiro e sua lavoura sofrer na secura caso o projeto de irrigação não tenha sido finalizado por causa do financiamento que não saiu devido àquela outorga que ficou travada no IGAM... Plantios mais tardios já são realmente uma aposta muito alta e perigosa. Por pelo menos dois motivos: os dias já começam a reduzir o tempo de insolação (o outono vai logo chegar!), as chuvas já vão reduzindo. E sua lavoura não terá uma boa produção em sua primeira safra – ela terá perdido preciosos meses de sol e luz para o desenvolvimento radicular, entrará em dormência vegetativa no inverno (mesmo que você possua água em abundância e tenha preparado muito bem a cova), e não produzirá ramas suficientes para uma boa florada no ano seguinte.

Mas não estamos aqui para assustar o futuro produtor, e sim para transmitir a experiência do plantio, os erros e acertos mais comuns. O desafio é realmente grande, as variáveis são inúmeras, mas nada que um bom planejamento não possa antecipar e deixar ao empreendedor uma gama de planos de contingência quando algo totalmente fora de seu controle vem a ocorrer!

Ao passo que vamos colocando aqui as nossas sugestões de planejamento, diretrizes gerais para quem vai plantar seu primeiro café (ou vai voltar a fazê-lo depois de muito tempo!), vamos criando um Diário de Bordo da implantação de uma pequena área de aproximadamente 25 hectares cujo plantio ocorrerá ainda esse ano.

E todos verão que as primeiras variáveis já saíram totalmente fora do controle: o proprietário da área que havíamos escolhido para o plantio alegou algum motivo ridículo para fazer o destrato do arrendamento, e com isso tivemos que achar outro local, enquanto o tempo passou para a implantação do viveiro de mudas. Com isso, duas variáveis de custo já mostraram suas garras: teremos custo de frete das mudas (o viveiro foi implantado a longos 40 km da área finalmente arrendada), além de cerca de 20 dias de atraso no cronograma de plantio. E a área não é tão boa quanto a primeira, embora tenha algo realmente valioso: água!