Diário de bordo – finalmente, um canteiro. E um gasto inesperado. (setembro/2018)

 

 

Setembro começou como agosto terminou: quente e numa expectativa desesperada. Cartão de Produtor na mão, vamos às burocracia e… vamos gastar dinheiro.

 

A terra está lá, nua, aguardando o preparo inicial. A terra é uma área de cultura, com uma pequena mancha de cerca de 25% do total de terreno mais pobre. Chamamos aqui de “terra de cultura” aquele cháo mais fértil, que um dia teve matas mais vigorosas, e não apenas aqueles arbustos e árvores retorcidas típicas do cerrado. Lá parece, pela vegetação remanescente, que foi uma bela mata. Bom sinal. Terra boa.

 

Optei por gradear a terra com grade mais profunda, seguido de um nivelamento com grade mais leve. Com o pessoal devidamente contratado, voltemos aos canteiros.

 

Boas e más surpresas. Os primeiros canteiros tiveram uma taxa de germinação excelente. Os últimos, quase nada. Ainda por descobrir. Mas ok. Temos um canteiro. Os sombrites que estavam servindo de apoio para a lona não entrar em contato direto com a plântula (nome bonito para a plantinha recém germinada!) vão para o alto dos moirões que sustentavam a irrigação. Temos agora os canteiros em meia sombra. Na verdade, 35% de sombra. Mantida a temperatura mais quente, e evita o sol escaldante para queimar as orelhinhas de onça que começam a aparecer dentro de alguns dias. Mas, por enquanto, tenho um viveiro de palitos de fósforo. E uns dois canteiros quase limpos. Já contabilizando perdas de cerca de 16mil mudas. Ok, sem grandes problemas ainda. Precisarei de umas 110 ou 120 mil. Ainda dentro do planejado.

 

E o Carlinhos diz que faz fazer o “repique” do viveiro. Isso me assusta. Há saquinhas que as dua ssementes germinaram. Há aquelas com apenas uma planta. E há as que não possuem nada ainda. O Carlinhos promete que fará ainda duas operações: o desbaste, que consiste em retirar a planta menor quando começar a despontar o primeiro par; e o repique, que é justamente o transplante da planta retirada para aquelas saquinhas que não germinaram. Isso me assusta…

 

As plantinhas vieram com sede. Irrigação idealmente duas vezes por dia, mas no mínimo uma. Claro que não fiz meu dever de casa e não automatizei o enchimento de minha caixa. Assim, geralmente estou tendo que ir para o viveiro por volta das 22hs, para desligar a bomba que puxa água da cisterna e enche a caixa. Assim, ela amanhece cheia e o Carlinhos passa lá para irrigar bem cedo. Ele deixa ligada a cisterna, e eu vou por volta do meio dia fechar. No final da tarde, nova irrigada, bomba ligada, e olha eu aí novamente voltando lá à noite para desligar. Chuva… que falta faz!

 

Pior é que se chover atrapalha o serviço na terra. Então, tenho que torcer para a combinação improvável de chuva no meu viveiro e seca na terra em preparo. São Pedro não deve estar compreendendo esse antagonismo…

 

Pior é que uma das cisternas praticamente secou. Vou ter problema de água. Mas ainda controlável.

 

Na terra, o serviço vai evoluindo. O rapaz que contratei para o serviço está correndo porque tão logo começar outubro ele ira retirar seus equipamentos e iniciar o preparo de suas áreas de lavoura branca. Chamamos assim as culturas anuais, principalmente soja e milho.

 

Mas lá aconteceu um problema muito complicado. Ainda não tenho solução. Dentro do pacote de máquinas, há algumas movimentações de terra que exigem maquinário mais pesado. Um amigo me emprestou um trator de esteira. A máquina mais indicada para o serviço seria uma pá carregadeira, mas a esteira ficaria, para mim, pelo custo do operador e do combustível. Maldita hora…

 

A terra naquele local é bastante sujeita a erosões. Assim, há uma grande vala no terreno que deve ter uns 40 metros de comprimento por uns 5 mestro de largura. Tenho que tapar esse buraco, e cuidar para que a enxurrada não chegue ali com tanta força. Depois da lavoura adulta, não deve haver problemas de erosão. Mas com a terra nua ou recém plantada, terei que fazer bolsões para segurar a força da água. Complicado, mas não dá para fazer outra coisa.

 

E eis que o operador fez um verdadeiro harakiri. Ao passar com a lâmina do trator sobre uma árvore seca que estava dentro da vala , ele não percebeu que o tronco se elevou e veio perfurando radiador, tanque do óleo do sistema hidráulico, motor de arranque… um verdadeiro estrago. Numa máquina emprestada. Que tem no mínimo 40 aninhos de vida, com corpinho de 60. E para achar as peças?

 

Maratona de Mercado Livre, amigos, mecânicos… nada. Terei que contratar uma Pá Carregadeira para o serviço. E consertar a Esteira do meu amigo. Gasto duplo. Suspiro.

 

A cereja do bolo foi o operador me procurar alegando que, como ele trabalhou apenas 6 horas, eu deveria pagar mais por hora, pois afinal ele ficou sem serviço. Contei até três e não o mandei para locais menos escusos.

 

Titico (o cara da gradeação) veio trazer a conta da festa. Doeu. Juntando o serviço dele, o combustível, os fretes do maquinário, e a gloriosa esteira parada, meus gastos passaram de R$20mil. E eu ainda nem comecei.

 

O mês terminando, a conta muito mais baixa, dois canteiros com problema, um trator de esteira parado no meio da terra, como se estivesse me gozando a cara. Um monumento amarelo à estupidez humana.

 

Mas algumas chuvas me fazem sentir melhor. E os canteiros começam a sair do estágio de palito de fósforo para orelha de onça.

 

Minhas mudinhas pintando de verde alguma esperança de reverter o jogo nos próximos meses.